Por Juci Ribeiro
radição que começou ainda na década de 70, com o Ilê Aiyê, hoje veste milhares de foliões nos principais circuitos do Carnaval de Salvador.
Filhos de Gandhy, Ilê Aiyê, Olodum ou Malê Debalê: certamente você já viu milhares de foliões atrás desses trios durante o Carnaval de Salvador. Os tradicionais Blocos Afro contam histórias que atravessam gerações, não apenas pelo batuque, mas por indumentárias e cores – semiótica que chama atenção pela leitura respeitosa, desde a fundação das agremiações nos Anos 70.
Desde a fundação do primeiro ‘Bloco Afro’ de Salvador, o Ilê Aiyê, que o bairro do Curuzú e seus 100 primeiros participantes se tornaram símbolos de resistência e identidade no Carnaval de Salvador. Hoje, esses trios conduzem homens e mulheres negras pelas avenidas, que vêem uma oportunidade de expressar a força da identidade cultural afro-brasileira.
Apesar das atrações, Cáren explica que a ‘riqueza cultural’ ainda é um dos maiores chamarizes do Carnaval de Salvador; que recebe forte influência dos Blocos Afro. Nesse cenário, a Consultora de Imagem afirma que a escolha das cores, tecidos e adereços não obedece à lógica da tendência, mas a sistemas simbólicos herdados das religiões de matriz africana, onde cada ‘tom’, textura e ornamento comunica diversas mensagens identitárias e as mais fortes são proteção, força, espiritualidade e pertencimento coletivo.
“Ao falar de ‘indumentária’ (a história por trás do vestuário) nos Blocos Afro, falamos de uma construção visual que nasce da vivência negra. As cores não estão ali para simplesmente ‘embelezar’ o Carnaval, mas para organizar o corpo negro dentro da festa a partir de códigos ancestrais. Essa estética, fundada e difundida muito antes da década de 70 para cá, não é acessória: ela estrutura e reposiciona o corpo negro como sujeito central dessa narrativa, seja na história da sociedade, do Brasil, África e mundo, até desaguar no Carnaval”, conclui Cáren.
Sobre Cáren Cruz
Cáren Cruz é Comunicóloga, especializada em Relações Públicas e Marketing e possui MBA em Gerenciamento de Projetos e Políticas Públicas. Como Palestrante, Mentora de Negócios e Consultora de Imagem Identitária, que foge dos moldes tradicionais da consultoria de imagem, Cáren se destaca como especialista em pele negra e foi recentemente investida no Shark Tank Brasil para impulsionar o App Pittaco e a Pittaco Academy, produtos digitais que integram tecnologia e IA para redefinir os estereótipos das pessoas negras principalmente em ambiente corporativo. O investimento contou com o apoio das sharks Monique Evelle, Carol Paiffer e Cláudia Rosa, tornando Cáren a segunda baiana negra a receber esse aporte.
